segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

homens do mercado

(!) texto da Tati, adaptações da Lu

Acordei assim meio sem ter o que fazer, uma vontade danada de ter alguém pra rir ou pra ficar pelada....
- Tem desse modelo dois em um que serve pra rir e pra ficar pelada, moço?
- Tem, senhora.
- Senhorita, por favor. Ainda ninguém quis casar comigo.
- É pra viagem ou vai comer agora?
- Vou comer no carro, embrulha mas não capricha muito não que eu tô com pressa.

Impressionante essa tecnologia dois em um. Eu realmente dou risada a noite toda e de tanto rir vai dando aquele calor, aquela vontade de ficar pelada. A indústria do entretenimento demorou mas descobriu que o tesão da mulher tá na laringe. Quanto mais a gente dá gargalhada, maior a vontade de abrir a perna.
Boneco bom esse modelo loiro magrelo (Tiaguinho), pena que vende aos montes e quase todo mundo pode ter. No dia seguinte começou a falhar. As piadas eram as mesmas, o sexo ficou sem magia e o botão do amor deu pau.
Já foi o tempo que a gente dava valor para um produto ao ponto de brigar por ele. Hoje em dia tá tudo tão fácil que comprar outro sai mais barato que tentar consertar.
Tá lá o moço loiro ao lado da lata de lixo do meu prédio. Talvez a Emengarda faça bom uso dele, talvez como abajour. Ele é branquelo demais.
Aí tava meio de bobeira andando pelas lojas e pensei: por que não um desses garotinhos com brilho nos olhos (Luis)? Desses cheios de vontade de vencer na vida e de viver a vida. Adoro esses garotinhos que não fedem a frustrações e que tentam desesperadamente parecer homens. Talvez eu goste deles porque eu também só tente parecer mulher. Bom, dei algumas moedas na mão da minha menina e dessa vez foi ela quem saiu feliz da vida com uma imensa sacola cor-de-rosa.

- Pode tirar a roupa dele, mãe?
- Pode garotinha de Maria-Chiquinha, mas depois não vá dizer que eu não avisei: no dia seguinte dá um vaziozinho no coração. Nada que não passe com as próximas compras....
- Pode dormir abraçadinha nele, mãe?
- Pode, mas aí piora mais um pouco. Melhor um coração vazio e inteiro do que um todo despedaçado. Mas vai lá, filhinha, é bom pra você aprender. Brinca bastante com ele, depois, quando ele se autodestruir em alguns segundos, mamãe compra outro pra você.

- Chora não menina boba. Era só um garotinho igual a 345 que têm nas lojas. Que modelo você quer agora? Quer o modelo que fala irado, o que fala maior vibe ou o que fala insano?
- Ah, mãe, queria um que falasse coisas mais inteligentes e profundas, tem desse?
- Tem, mas custa um pouco mais caro porque é importado de outro planeta. Nada que dez vezes no cartão não resolva.
- Acho que preciso de tratamento psiquiátrico.
Vou levar as reservas da minha alma à falência se continuar gastando desse jeito. Nem bem enjôo de uma compra já quero logo sentir de novo o prazer de tirar um encantamento da caixa. Novinho em folha.

- Oi, será que por acaso vocês não tem aí um modelo que já vem com assunto? To sentindo uma falta danada de ter com quem conversar.
- Tem, claro que tem. Esse aqui já vem com três cartuchos sobre cinema europeu e você ainda leva a nova revista Piauí totalmente de graça. (Vitinho)

Volto pra casa com meu novo joguinho. Fico até um pouco cansada porque o manual de instruções desse modelo vem num português mais rebuscado. Quase sinto saudade do antigo boneco que com o mesmo comando falava irado e abaixava as calças. Mas acho que já tenho idade para passar dessa fase e tentar uma conquista mais difícil.
Putz, botaram toda tecnologia no cérebro e esqueceram do resto. Boneco chato esse, tá louco. Sexo que não toca música e coração que não pisca. Já foi o tempo que os brinquedos faziam pirotecnia. Esse nem vôa e nem me faz voar. Começo a me irritar, essa indústria do entretenimento faz de propósito: não existe o boneco perfeito justamente pra você voltar na loja todos os dias. Mas cansei desse papo, não sou besta não. Vou acabar pobre desse jeito....
- Ei, moço, vocês não tem aí um que me faça rir, me dê tesão, seja inteligente e tenha coração? Ah, e de preferência um forte, que não quebre tão fácil. E que venha com vários cartuchos de assuntos que é para eu não enjoar (Brunin). Opa, e que tenha garantia, claro. A pior coisa são esses bonecos que a gente compra barato mas vêm sem nota.
- Tem não, moça. Esse tá em falta. Fizeram uma versão limitada e vendeu tudo no mesmo dia. Deixa seu nome ali na lista de espera que quando chegar a gente te liga.
- Meu nome já tá lá há 22 anos, moço. Mulher já nasce querendo um desses. Mas confere pra mim? É Luana.
- Hum..Luana? Parece que tem um pra você sim.
E eu sai da loja, toda feliz. A caixa desse era bem grande, então eu não conseguia levar nos braços, mas o moço carregou ele direitinho. Chegou em casa, usei e abusei. De verdade era um daqueles sonhos e foi ficando...ficando, ate que ...apareceu o defeitinho. Ele não gostava de mim então não sabia ser fiel. Peguei ele com a Ermengada. Espero que esse não acabe como abajur..porque ate que ele é bonitinho.
E enquanto isso eu toda semana vou na loja e o último era com um joystick bem grande....


ps: o boneco foi concertado e nem apresenta mais esse defeito...mas é concerto sabe?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

úlimo dia

Findiférias.
Que crueldade é esse dia. Infelizmente amanhã encaro a minha dura realidade.
Chega dos mimos da mamãe, das aprontadas com o pai e as risadas da avó...
E dessa vez vai ser a pior que todas. Porque agora a casa está tão vazia.
Estou aqui, procurando em vão seu sorriso. Procurando aquela risada tão boa, que seus olhos se fechavam. Ou os resmungos de mau humor que me provocavam caretas.
A menina dos olhos que pareciam moranguinhos pretos (aos meus olhos), deixou uma saudade tão grande e és tão pequena.

Nos dias que ora se arrastavam, ora passavam velozes, foi a única que me fez verdadeira companhia. Me enchia de um sentimento único e puro. sinto saudades. verei novamente, acho, mas já será invero de novo.

Pra mim você sempre veio assim, tão de repente. Escancarou as portas, nos devolveu os dedos que já havíamos perdido. E me deu um potinho novo e fez jura que esse ficaria destampado, para ter sempre uma gota de você, mas só de você.

Você sabe que e é tão fácil te amar. e te criticar (ao menos pra mim). mas é tão áspera a sua falta.


if you're missing come on home

sábado, 7 de fevereiro de 2009

e o português?

Para tudo! Não me conformo com enjoo sem circunflexo. Sentir enjoo, ao menos pra mim, é a pior coisa do mundo. É a certeza de que tudo vai muito mal, deu muito errado, saiu do controle. Tem que ter intensidade, tem que ser acentuado. Transformaram o passar mal numa coisa que passa desapercebida (ou despercebida?). Tiraram o drama do enjoo. Tiraram a dramaticidade de quem briga e grita “paraaa tudooo”.
Ideia sem acento é outra coisa que me mata. Porque quando temos uma, a vida flui, abre um chacra no topo da nossa cabeça (minha amiga, doida, espírita que disse). Os braços se abrem em alegria. A lâmpada surge em cima da cabeça. O mundo pede um acento pra isso. Ideeeeia. Ninguém tem uma ideia. A gente tem uma ideeeeia. Porque ideia fraca nem chega a classificar ideia. Ideia serve pra se destacar, não?
Paranoia serve pra ser sentida até suas últimas consequências sem trema. Assim como estreia. Ninguém estreia pra passar despercebido (ou desapercebido?). É duro ter apego a uma verdade e de repente (ainda bem que não inventaram de ser “derrepente”) ela passar a ser incorreta. Eu tinha muito apego às minhas ideias com acento.
Mas crase nunca soube usar direito e eles insistem em manter: afinal, “às minhas ideias” têm crase?
Ainda bem que “minhas ideias têm” continua com acento no tem. Meu cérebro entende que onde tem mais de um querendo ter ideia, tem sempre um que toma chapéu. Já os coitados que veem, agora, vão ter de ver de pé mesmo. A última: meu cérebro também entende que voo sem acento pode ser aceitável, afinal, já é assim mesmo que a gente se sente espremido neles. E peço desculpa a vocês por esse parágrafo com três trocadilhos infames e seguidos, mas não resisti.
Tô com medo de ter virado a minha avó, que em seu livro de receitas escrevia absurdos como “êle” (calma, ela não fazia picadinho de gente). Já tô até vendo meus netos lendo meus livros antigos e rindo de erros de ortografia e outras bobeiras que certamente cairão em desuso.
Um assunto que virou quase uma pedra de césio é a tal da diferença entre história e estória. ESTÓRIA não existe mais, gente! Há anos! Mas já percebeu como tem sempre alguém de óculos que adora brigar por isso? E “estória” também era mentirinha, lorota, livro de criança. Como hoje em dia tudo ficou sério demais (até bala barata de cinema só vende se tiver vitaminas e fibras), virou tudo história mesmo. Tudo chato e de verdade.
Tem mudança que não me incomodou nem um pouco. A queda do tal de acento agudo “na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação”. Oi? Que língua é essa? Quem fala assim além de padre e/ou pseudo ator ex-comunista e ex-hippie e atual budista/protestante de peça de teatro chata que fica adaptando czaristas em teatro sem ar condicionado? Quem fala: amámos ou louvámos?
O trema também já vai tarde. Eu já não uso desde o colegial, quando a Helena, minha professora querida que nunca esqueço, liberava a gente desses pontinhos chatos. Pontinhos servem pra classificar ideias mal acabadas ou infinitas ou misteriosas e assinatura de metidos a maçom (metido “a” tem crase?). Mas pra fazer som de francesa transando não. “Oui”!
Já em Portugal, finalmente, eles tiraram o “c” de ação. Ninguém que precisa agir rápido para (do verbo parar) para (olha a dificuldade) ter uma “acção” ou um “acto”.
Quem se deu bem foi o kiwi (diferente da pera), que agora, tem duas de suas únicas consoantes aceitas pelo dicionário. Se fosse "kiwy", essa seria uma fruta heroica sem acento. Um exemplo de modernidade. Deveria ter um monumento de “kiwy” em frente ao Museu da Língua Portuguesa. E a história dele é séria: tem vitaminas e fibras e tal.

Ao final do texto, meu “corretor do Word” desavisado, ultrapassado e sofredor, me avisa de muitos erros. Mal sabe ele.

- texto sem nexo? pois é, mas to sem saco e humor para fazer algo bom. foda-se a vida eu só espero dar 10 horas da noite para tomar meu ritrovil e desaparecer....

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

mais um ano, IDOSA!

feliz aniversário! e que com esse mais um ano de experiência, e quanta experiência, você aprenda a não brigar por qualquer bobagem e não arrumar problemas onde não tem.

da pessoa que tanto te ama!






-
HAUAHUAHAUHAUAHUAHAUAAHUAHUAHAUH juro que escutei seu grito daqui o/
mas nem resisti...dessa vez você merece.

Hoje, ao olhar para o céu e para o brilho do sol. Busquei dentro de mim, o seu olhar e senti uma brisa leve tocar meu rosto e com essa brisa senti saudade.
Ao olhar o calendário, percebi ser hoje. É o dia do seu aniversário, e eu então eu fechei os olhos e desejei tudo de bom, como se você pudesse me "ouvir".
Imagino que você está feliz, afinal, seguiu o caminho que queria e espero que paralelo ao meu. Pois ainda acredito que elas (as paralelas) sempre se encontram no infinito e que nosso coração só envelhece quando deixamos de sonhar!
Mesmo longe, se sabe, que ano que vem estaremos perto (ou aqui, ou em qualquer lugar), e te darei aquele abraço que como você diz, só eu sei dar e direi: - Feliz aniversário, meu amor!
E vou aproveitar para dizer que apesar de tudo estou feliz por partilhar esse momento da sua vida e que sempre peço por ti. Que tenha muita saúde e forças, para que superes os obstáculos que o destino colocar em seu caminho. E desejo que esse dia, seja como todos os outros em sua vida, cheio de alegrias!
Quando ver isso, olhe para o céu e busque no sol o brilho do meu olhar, busque nas estrelas o brilho do meu sorriso e sinta a brisa como fosse um abraço meu.
Nunca deixe de pensar em mim e saiba que hoje minha alma está em festa, e mesmo estando longe, separados, irá brindar com você a tua saúde e a tua felicidade.

deixa de ser boco uma vez na vida, por mim...te amo!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

blair waldorf, prazer (ou chuck bass ;)

quanto mais jogo tem, mais me interesso.

eu sei que você não consegue entender, talvez por causa da miopia emocional, o que acontece contigo quando eu te toco. seu lado intelectual já entendeu que não pode ser eu. mas você sabe, é instinto humano essa coisa de pele. não dá pra controlar, a adrenalina dispara em seu peito e trava na garganta essa vontade maluca de me beijar. vejo você respirando fundo e leve pra eu não perceber, mas eu te conheco! finjo que tudo bem. Mas os 3% que ainda te resta de mim não te vence dessa vez. eu sei que você pode ligar pro mundo inteiro, quando a pessoa que você mais queria ouvir sussurrar besteiras era eu.
estoura o limite da sanidade e toma mais uma dose de vodca. quem sabe menos sã você sinta a vida mais intensamente. ai que tá, você sempre sente tudo intenso demais. quando você acha que vai morrer de tanta vontade de viver, o acaso dá uma trégua e te faz crer que tudo vai dar certo mais dia menos dia.
mas ainda existem aqueles malditos 3% de mim em você, tão pequenos, que não importa o tamanho, o problema, ou, talvez, a salvação, é a intensidade de como acontecem...

e eu por mais que a vontade de te beijar seja grande, não consigo, preciso te ver implorar. preciso te ouvir dizer que precisa de mim, que a minha boca que você quer. é quase um triunfo.
você sempre tão dura com todo mundo, ate consigo mesma. quando tá comigo amolece.
Você parece uma criança...
são os malditos 3% de mim em você, eu sei disso... só não tente me fazer ficar com ciumes...

quando a gente se cala e porque não se tem mais o que falar sem revelar os segredos do coração

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

descobertas

Eu descobri que na vida, nem tudo são rosas. E que é possível, sim, fazer melodia com as folhas secas que aparecem no caminho. Basta saber onde, quando e como pisar.

Descobri que, quanto maior for a escuridão de um túnel, mais viva é a luz que me espera ao fim dele, assim, quanto mais folhas secas tenho aos pés, maiores e mais intensas serão as minhas primaveras.

Descobri que é preciso chorar, perder, sofrer e não mais aguentar para aprender a dar valor à calmaria e redescobrir a felicidade em pequenos pacotes. Sim, pois o que me mantém com riso nos lábios são as pequenas felicidades diárias e não as grandes, esporádicas.

Descobri que grandes amizades não são feitas só de abraços e de fases boas, mas sim, são construídas por pedras e espinhos e que, de vez enquanto, tem que enfrentar a tempestade para saber se dura ou o quanto dura. Amizades eternas não são lagos calmos, nem presença constante.

Descobri que preciso de colo, de abraço e de compreensão porque não sei ser sempre forte e descobri que tirar o time de campo não é sinal de fraqueza, nem defesa, mas um ato de coragem.

Descobri que posso aprender comigo e notei que tenho muito o que ensinar, muito pelo que passar e muito sorriso para distribuir.

Descobri que a vida não pára, que o coração se reconstitui e que novos amores sempre estarão prontos para ser vividos. E eu vivo.
descobri só por estar contigo

sábado, 31 de janeiro de 2009

Was it a dream? (2)

- Is it a dream?
- No, is soo true.
- And Is this the only evidence that proves it? a photograph of you and I?
- Feel this. Can you feel this? If you can you will belive
- I belive!

to nas nuvens e me deixa aqui, fmz?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Was it a dream?

quem dá aos pobres, empresta a Deus (.) - meu post podia se resumir apenas nisso, porque esse provérbio diz tudo.

Lá fui eu viajar. como numa viagem qualquer. a um lugar que já havia tido antes. sem nenhuma expectativa. comendo nos lugares de sempre. comprando nas lojas de sempre. vendo as pessoas com as mesmas caras de sempre...
Até que comendo no lugar de sempre, na mesa de sempre, a coisa de sempre...percebi que estava satisfeito e ainda sobrava comida no meu prato, para mudar, pedi ao garcom para pegar as comidas, embalar e colocar uns talheres dentro. ao sair do restaurante lembrei que sempre havia o mendigo de sempre, em frente a mesma loja de sempre. mas o destino quis me pergar no sempre e quando olhei, não o vi. então fui caminhando pela rua, com a comida na mão, pensando o que faria para ela. parei e vi um moço pedindo dinheiro, perguntei se ele queria e dei a comida. ele ficou muito feliz. virei e continuei meu trajeto para o hotel. quando vejo uma menina muito bonita, paro com meus miolhos e penso: "meu deus!". tirei rapidamente meus olhos dela, ate que meu cerebro volta a funcionar: "é a cara da hilarie burton". voltei meus olhos para ela e lá estava, em perfeita forma. como sempre imaginei. um pouco mais baixa talvez. mas linda. como sempre. sorri e acenei a cabeça. ela parou, me olhou por uns segundos, franzio a sombrancelha e sorriu. como se tivesse que parar para lembrar que era famosa, que qualquer zé ninguem a reconheceria. acho que fiquei estático por segundos, pensando o que faria e então berrei o nome dela. e ela se mostrou melhor do que eu imaginava, melhor em todos os apectos, jeitos e gostos. e no final de tudo ela deu aquela risada que SÓ ela sabe dar e perguntou: quer uma foto comigo? eu sou sorri de volta e acenei a cabeça dizendo não. pois com a foto eu provaria para os OUTROS que eu vi ela. e eu não preciso disso, eu sei que vi, senti e gostei ;)

tá vendo? se eu não tivesse parado para dar a comida, não tinha tido uma das melhores noites da minha vida. um sonho realizado. até a febre do caralho que eu to sentindo agora, por ter pego um friozão por causa dela, tão valendo a pena. (L)


Is this the only evidence that proves it? a photograph of you and I?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

oi .-.

m: - a menina nina ta ai?
p: - hoje ela ta de folga
m: - que pena, ele veio para ve-lâ
e: - ta doida? :O que vergonha!!!!
p: - vou ligar pra ela vir aqui então
e: - não faz isso, ainda virei aqui mais vezes
(jantando e entra umas mulheres, me abaixo)
m: - que foi? é ela? se for me avisa que eu corro pro banheiro
e: - e eu te mato u.u

sábado, 10 de janeiro de 2009

quinze para as dez.

Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. Eu simplesmente desisti.
Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. Eu espero chegar as dez da noite pra tomar meu Rivotril. E desaparecer.
Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. Não mexo em nada. Não quero. Odeio as frases em inglês mas o tempo todo penso “I don’t care”. Caguei. Foda-se. Eu espero chegar as dez da noite pra tomar meu Rivotril e desaparecer.
Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo o irritadinho, o que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Algo entre um santo e um pilantra. Desde que no controle e irritado. Agora, não quero mais nada. De verdade.
Ah, o anuncio não ficou bom? Então não me pague. Não vejo as mulheres mais bonitas em volta e corro pra malhar. Não quero malhar. Não vejo o que é feio e o que é bonito. É tudo a mesma merda. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. Não ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trânsito parou, não buzino. Se o coração foi pelo ralo, foda-se. Deixa assim. A vida é assim. Não brigo mais. Eu só espero chegar as dez da noite pra tomar meu Rivotril e desaparecer.
Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero, de verdade, do fundo do meu coração, que chegue logo as dez da noite. Hora do Rivotril. O remédio que me chapa. Eu quero chapar. Eu quero não sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Mas tudo meio que por osmose. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais porra nenhuma. Só não sou um suicida em potencial porque ser frio me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir e cagar pra ele.
Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. O trator da felicidade. Atropelei o mundo e eu mesmo. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e...quer saber? Nem eu. Chega.
Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo.
Eu só espero chegar as dez da noite pra tomar meu Rivotril e desaparecer. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.