domingo, 13 de abril de 2008

As quatro estações da minha vida

Anos atras minha vida era um completo verão. O calor, a praia, o clima, tudo pegava fogo, tudo em mim era o próprio fogo. No final de uns três anos atrás eu vivi o meu outono. Era inegável a transformação das flores em folhas caídas, do calor em uma temperatura morna, um tempo sem muito brilho, sem muita cor, simplesmente marrom, pastel, bege, cores assim…sem vida. Foi então que começou o inverno, rigoroso, neve caindo o tempo todo. Foi o próprio polo norte se mudando para dentro de mim. O dia não era mais belo como era no verão, nem pelo menos morno como era no outono. Era inverno, fazia frio… chorava a chuva na minha janela da vida.

Enquanto externamente viviam todos os últimos dias dos outono, vivia eu, internamente, os últimos dias do meu inverno. Chorei as últimas chuvas - que não mais eram temporais, mas simples gotas. Vivi eu os meus últimos dias escuros, cheio de nuvem, gelados. Me preparei agora para o início da minha primavera, ainda com vestígios de inverno, mas já pressentindo o calor do verão.

Tres anos depois, vou me enchendo de cores, de flores, de vida. Vou tirando o casaco pesado para substitui-lo pelas bermudas, mais coloridas. Vou tirando o peso e desconforto do sapato para substitui-lo pela sandália ou havaianas. Vou abrindo aos poucos a janela da vida, o vento que sopra agora não é mais tão frio, gélido, cheio de solidão.

Enquanto as pessoas se preparam para usar o cinza, me preparo eu para o vermelho, o laranja, o amarelo do verão. Me preparo, aos poucos, durante a primavera, para o verão que chegará forte, com calor, humor e alegria.

Me preparo para aprender, com a primavera da minha vida, a permitir que o inverno se vá para que, assim, o verão chegue - embora saiba que o ciclo da minha vida é eterno e que ele não pára; o inverno há de voltar.

Mas, até lá, terei passado pelo aprendizado da primavera, pela felicidade do verão e pelo morno do outono. Terei crescido, aprendido e, mais do que tudo isso, vivido. Estarei pronto para um próximo inverno, mais ou menos rigoroso, mas inverno ainda assim.

Mas, até lá, terei aproveitado cada momento que as outras estações da minha vida têm para me proporcionar. Até lá, terei vivido todas as emoções, chorado todas as lágrimas de felicidade sem me lembrar das lágrimas de tristeza, terei abraçado quem deveria ter sido abraçado e amado quem deveria ter sido amado.