primeiro de tudo: obrigado! pro tudo q vocês fizeram por mim, cada um tem um lugar especial no meu coração e se não fosse vocês não estaria aqui. OBRIGADO MESMO, DO FUNDO DO CORAÇÃO. Ate o apoio dado a minha familia.
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No meio de tanto barulho, comecei a me sentir grogue. Já havia visto o sangue dela no vidro estilhaçado e sentia um pouco da minha força tentando puxa-la, porem se tentava puxar com mais força via a lu, me confundido, isso se repetiu varias vezes. Já esperava que o anjo da morte me batesse no ombro e me levasse até o portões dourados.
Não sei quanto tempo passou quando os telefonemas, barulhos de sirenes começaram. As ouvia cada vez mais fortes, pancadas, batidas, o som de toda a confusao, mas não tinha forçar para me mover. A próxima coisa que me lembro é de já está fora do carro. Bem, desnecessário dizer que estava muito fraco, mas não totalmente fraco, para não deixar de me sentir constrangido pelo tumulto de pessoas a minha volta. Todos tinham uma cara infeliz. Todas as caras felizes de São Paulo saem da cidade. E ainda tive força para perguntar a um dos maqueiros: Como ela esta? E só ouvi um: não se preocupe.
Devo ter desmaiado na ambulância: não me lembro de ter entrado no hospital ou de qualquer coisa. Não tenho a menor ideia do que fizeram comigo.
A primeira coisa que me lembro é que estava no céu. Se vocês abrissem os olhos e vissem a Nicole e outras pessoas tão especiais onde achariam que estavam?
E pensei: "Bem, é isso ai, Bruno, você conseguiu - é o céu. O que fazem aqui, provavelmente, é conceder à gente um desejo, e elas estavam sabendo muito bem qual seria o meu."
Ouvi vozes dizendo que estava voltando, e fiquei pensando: "Voltando para onde?". Nick chegou muito perto, como se fosse me beijar, mas não o fez. Não conseguia compreender o que estava acontecendo.
A confusão total durou algum tempo e então:
-B, você está bem?
E lá estava aquela voz, a mesma que me dizia para tomar vergonha na cara e parar de chavecar as amigas dela. Aquela voz, da minha irmã, me trouxe de volta à realidade imediatamente.
Todas as pessoas queridas, como num passe de mágica, se transformaram em médicos, e o céu no Hospital.
Meu pai comportou-se de maneira irracional sobre todo o episódio. Não conseguia entender como tudo tinha acontecido; minha mãe, como de hábito, calou-se.
Todos que aparecem para me ver, ficaram repetindo que recuperasse o ânimo e foi o que fiz, não porque ficaram me dizendo isso, mas porque ganhei uma vida nova.
Quando eu estiver melhor vou voltar para meu apartamento e arranjar um novo trabalho, provavelmente fora do pais. Talvez troque meu nome para Senhor Mandolesi e me case.
Mãmi, pai, gabi, escutem. Querem saber de uma coisa? Não quero morrer, quero ser feliz! Espero que alguém bote a porta do carro de volta no lugar. Precisarei dela.
O engraçado é que quando acham que você vai morrer as pessoas tem mania de te contar tudo, o que acha, que mudaria a sua vida e a dela. Então estou tentando processar muita coisa. Mas fico feliz de estar em casa, com minhas pessoas queridas e só quero voltar a ser quem eu era. Se bem que tudo me parece mais fácil e o medo de arriscar sumiu de mim.