paragrafoEra domingo, o sol batia lá fora. E aqui dentro uma vontade estranha. Resolvi em um impulso misturar o sol de fora, com a vontade estranha daqui de dentro. Caminhando, pelo parque da cidade e me peguei observando uma senhorinha.
Parecia triste, quieta, sozinha. Não pude me controlar e quando me dei conta estava sentada ao seu lado e a observando, quase tentando chamá-la para uma conversa.
paragrafoNão demorou muito e nós apresentamos, a conversa ia se desenvolvendo, era o tempo que nós importávamos naquele momento. Mas não demorou muito para serem os problemas do coração. Quase baixinho, como se alguém próximo a gente estivesse interessado em escutar, ela fechou o sorriso enrugado e me disse que hoje havia dez anos que ela tinha se separado do marido dela. E que esperava, em vão, encontrar ele naquele banco.
paragrafoFiquei sem saber se deveria ir ou ficar. Mas ela me insistiu que eu deveria ficar, lhe fazer companhia e quem sabe deixar o sorriso menos enrugado. Assim ficamos, um bom tempo, contado coisas pequenas e sem importâncias, rindo enquanto o sol fraco batia na nossa pele.
paragrafoAntes de se ir embora, ela levantou-se me abraçou e segurou minha mão, aqueles pequenos olhos atrás dos óculos, ficaram gigantes e penetraram os meus então ela me disse: “Quando você se casar, case-se com sua melhor amiga. Nunca por amor. Porque depois de seis meses, o amor desaparece e só fica a amizade, o carinho pela outra pessoa. Eu casei por amor e aqui estou...sozinha. Não cometa o mesmo erro que eu, meu filho”.
paragrafoSenti o pequeno sonho dela, se passar para mim e abrir um milhão de duvidas na minha cabeça. Não, eu não penso em casar. Não, eu não acho que deveria se casar com minha melhor amiga. Mas....bom, deixa isso para outra hora.